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pardo-azulada, contendo nodulos de calcareo esverdeado em capas envolventes de um nucleo vasio. Esta argilla é a mesma a que nos temos já referido varias vezes nesta exposição. Ella é compacta, muito plastica, ora azulada, ora escura, sem es tratificação, e quando azulada exposta ao sól se torna clara. E' uma das formações de maior importancia na região, por quanto constitue quasi sempre a capa e a lapa dos depositos de combustiveis vistos em Tabatinga, Javary, Quixito e Içá, bem como foi nas suas camadas azuladas ou escuras, que encontramos a maior riqueza fossilifera. As vezes, quando esta argila está envolvendo leitos de lignito, torna-se nas proximidades destes pardo-chocolate. E' muito commum os seus depositos passarem de argilla compacta a arenosa e areia na base, conservando porém, a mesma côr.

Os fosseis ahi encontrados, bem como todos os que colhemos em diversas localidades do Javary, Quixito e Içá, são da mesma idade. O professor Branner, em carta escripta ao engenheiro Rodrigues Vieira Junior, affirmou que os restos enviados a elle são talvez da fauna miocenica. Voltaremos mais adeante a fallar neste assumpto.

TABATINGA

É um posto mititar nacional (Phot. n.o 19), estabelecido á margem esquerda do rio Solimões, pouco mais de 2 kilometros a jusante da bocca do Igarapé de Santo Antonio, de onde parte a linha de limite Brasil-Perú, que vae ter á fóz do Apoporis. Ahi, estacionavam 6 praças do exercito sob o commando de um 2.0 sargento.

Para execução de estudos mais detalhados desta região, onde sabiamos existir o combustivel mineral, acampamos junto á bocca do referido igarapé de S. Antonio, affluente do Solimões. Verificamos de facto a existencia de um leito de lignito, a partir de um ponto abaixo de nosso ancoradouro, junto á bocca do igarapé, e extendendo-se pela margem esquerda do Solimões numa extensão approximada de 1 kilometro, como se observa na planta da região annexa a este boletim.

Quando ahi estivemos (Fevereiro de 1919), encontrava-se

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esta camada coberta pelas aguas numa profundidade de 2 metros. As amostras deste lignito, numa porção approximada de 4 a 5 toneladas, fôram extrahidas em blócos soltos de dentro do rio junto ao leito, por meio de mergulhadores. Sobre esta camada de lignito encontramos dois fragmentos de madeira com uma parte carbonisada, e outra petrificada e negra em laminas brilhantes, pelo oxydo de ferro. Constatamos uma espessura de 1 m. 50 para este deposito de combustivel.

Acompanha estas notas uma planta detalhada do loca! na escala de 1:20.000, onde figura a camada de lignito, bem como, as cotas de sondagens batimetricas feitas na occasião destes estudos.

Poderiamos obter o combustivel isento da acção das aguas do rio, perfurando na terra firme um poço no minimo de 14 metros de profundidade. Não o fizemos pela falta de tempo para este serviço. Tentamos, comtudo, extrahir amostras de lignito abrindo um poço quadrado de 2 metros de lado no valle do igarapé de Conceição, onde a profundidade de 3,m 50 deveriamos attingir a camada deste material. Entretanto, não pudemos ir além da profundidade de 2,m. 50, apezar do revestimento de folhas de zinco e quadros de madeira que fizemos; porque depois de uma camada de o,m. 6 de argilla mosqueada, attingimos um banco de areia e forte infiltração dagua, que nos impossibilitaram de continuar a tentativa. No meio deste banco de areia encontramos tóros de maneira bem conservada, como se fossem novos, apezar da matta robusta que reveste a região.

Para verificarmos a natureza da capa da jazida, fizemos um «cachimbo » seguido de um poço, á margem do rio, pouco acima do igarapé de Conceição. A partir da superficie do sólo encontramos uma breve,camada de argilla branca, depois uma areia vermelha, que perdia o colorido a medida que se aprofundava, tornando-se clara com raias vermelhas. Não conseguimos attingir o lignito, porém, julgamos ser esta areia, a capa do mesmo.

Quanto á lapa, verificamos constar de argilla pardoazulada, pelos fragmentos que vinham adheridos á base do prumo de sondagem.

Diversas analyses feitas no Serviço Geologico sobre este lignito bem como sobre o de Quixito,

Damos abaixo duas analyses e ensaios publicados no Relatorio do Ministerio da Agricultura de 1920:

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O lignito distillado a 400° C., em retorta fechada, deu o seguinte resultado em peso:

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Em virtude de figurarem num esboço da região a estudar, que trouxemos do Serviço Geologico, affloramentos de lignito no leito do igarapé de S. Antonio, julgamos de utilidade uma informação mais detalhada sobre o mesmo. Temos a dizer que este igarapé não tem uma extensão de curso além de 1 kilometro e meio, e sua largura não excede de 2 metros. No seu valle quasi todo revestido de argilla mosqueada não se encontra vestigio do combustivel mineral. Aliás, o seu leito corre em nivel superior á camada de lignito, que afflora á margem do Solimões.

Quando ahi estivemos (1919), engenheiros peruanos haviam aberto recentemente, tres picadas parallelas atravéz do igarapé, penetrando em territorio de sua margem esquerda, como se acham traçadas na planta junta.

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